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Desenvolvimento Humano
Wania Rigo
Dakini Desenvolvimento Humano e Organizacional

Entrevista concedida pela CEO da Dakini Desenvolvimento Humano e Organizacional, Wania Rigo, ao PME NEWS – Tema: “NR-1: O custo de não agir vai além das multas”. (Ouça aqui a versão em podcast).

PME NEWS  – A nova NR-1 trouxe mudanças significativas. Quais pontos demandam maior atenção estratégica das empresas?

Wania Rigo – A atualização da NR-1 transformou o tema saúde mental em uma questão estratégica, e também em uma obrigatoriedade legal, ao incluir os riscos psicossociais. Mas as empresas precisam compreender que isso vai além da conformidade: trata-se de proteger o que têm de mais valioso, as pessoas. O maior desafio está em integrar o PGR com políticas de bem-estar, liderança saudável e clima organizacional, sem perder o foco nos resultados. Ignorar essa integração é o mesmo que deixar brechas jurídicas e humanas abertas. O futuro da conformidade passa pela gestão emocionalmente inteligente e quem se antecipa, sai na frente.

PME NEWS – Quando se afirma que o descumprimento da NR-1 pode gerar custos elevados, a que tipos de impactos operacionais e financeiros estamos nos referindo?

Wania Rigo – Os custos invisíveis do descumprimento são os afastamentos, rotatividade e passivos trabalhistas corroem resultados, diminuem a produtividade e comprometem a sustentabilidade do negócio. Além disso, empresas em desconformidade enfrentam barreiras em licitações e auditorias ESG, o que afeta diretamente sua reputação. Cumprir a NR-1 não é custo, é investimento. As organizações que entenderem isso agora serão mais competitivas e atraentes para talentos e parceiros. Já as penalidades diretas começam em torno de R$ 1.800,00 mas podem aumentar conforme a gravidade e reincidência, chegando até à interdição da operação.

PME NEWS – Quais são os erros mais recorrentes observados no processo de adequação das organizações à norma?

Wania Rigo – O erro mais comum é tratar a NR-1 como um documento burocrático e não como um processo vivo de gestão de riscos humanos. Muitos ainda delegam o tema exclusivamente à área de Segurança do Trabalho, sem envolver liderança e RH, perdendo a chance de criar uma cultura preventiva. Outro equívoco é focar apenas em checklists técnicos, ignorando fatores emocionais e comportamentais. A norma exige diagnóstico, monitoramento e plano de ação contínuo, não apenas uma planilha assinada. Adequar-se não é promover uma palestra anual ou uma SIPAT pontual, e sim manter coerência entre discurso e prática o ano todo.

PME NEWS – De que maneira a NR-1 pode ser incorporada à gestão como um instrumento de melhoria contínua e fortalecimento da cultura de segurança?

Wania Rigo – A NR-1 pode ser o motor de uma verdadeira virada cultural nas empresas. Quando inserida na rotina de gestão, conectada ao PGR, às metas corporativas e à liderança, ela transforma prevenção em performance. Ao adotar uma visão de melhoria contínua, a empresa passa a mapear riscos psicossociais como quem mapeia oportunidades de inovação. A norma oferece uma estrutura poderosa para medir, ajustar e evoluir processos de forma sustentável. Integrar a NR-1 é investir em lideranças emocionalmente inteligentes e equipes saudáveis, esse é o novo indicador de sucesso corporativo.

PME NEWS – Quais ações preventivas as empresas devem priorizar para garantir conformidade e evitar riscos?

Wania Rigo – O primeiro passo é mapear os riscos da empresa e aplicar um diagnóstico psicossocial confiável, envolvendo líderes, RH e equipes. A partir disso, criar um plano de prevenção contínuo que una ações de saúde emocional, fortalecimento de clima e capacitação em liderança emocionalmente inteligente. O monitoramento constante e o diálogo transparente sobre bem-estar são diferenciais críticos. A empresa que atua de forma proativa não apenas evita multas, mas constrói um ambiente que retém talentos e impulsiona resultados. A prevenção hoje é sinônimo de competitividade, e quem lidera com consciência, lidera o futuro.

PME NEWS – Como a liderança pode se preparar para atuar de forma emocionalmente inteligente diante dos riscos psicossociais e das novas exigências da NR-1?

Wania Rigo – Excelente ponto!

A liderança é o ponto de virada quando falamos em riscos psicossociais e NR-1. Não existe conformidade real sem uma liderança emocionalmente inteligente, capaz de reconhecer sinais precoces de desgaste, promover segurança psicológica e sustentar conversas difíceis com maturidade.

O primeiro passo é desenvolver consciência: entender como suas decisões, comunicação e estilo de gestão influenciam diretamente o clima, o engajamento e a saúde emocional das equipes.

Depois, é preciso capacitar esses líderes para atuar de forma preventiva, e não apenas reativa. Isso significa dominar ferramentas de gestão de emoções, feedback de qualidade, prevenção de conflitos e gestão de cargas de trabalho. A liderança preparada sabe equilibrar performance e bem-estar, sabe priorizar sem sobrecarregar, e cria rituais de acompanhamento que fortalecem a confiança.

No fim, a verdadeira adequação começa pela forma como o líder conduz pessoas — e esse é o diferencial competitivo que as organizações mais inovadoras já entenderam.

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