Edição do Mês

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REALIZAÇÃO: Bit Partner | DIREÇÃO: Sidney Cohen

A força invisível: por que os pequenos negócios movem o Brasil

Os pequenos negócios no Brasil estão redefinindo o empreendedorismo ao transformar desafios cotidianos em soluções criativas, acessíveis e conectadas à realidade local. Da inovação espontânea à digitalização pelo celular, essas iniciativas mostram que é possível crescer com poucos recursos, gerar renda e impactar comunidades, mesmo diante de crédito caro, burocracia e limitações estruturais.

Na edição deste mês, você confere a entrevista com Carlos Messeder, CEO da Kognitiva. Ele explica como os pequenos negócios se tornam protagonistas do desenvolvimento econômico, criando soluções reais e sustentando o crescimento do país com inovação e resiliência.

 

Bastidores

  • O e-commerce brasileiro mantém crescimento moderado em 2026, refletindo um mercado mais competitivo e exigente. Segundo a Associação Brasileira de Comércio Eletrônico, o setor deve superar R$ 250 bilhões em faturamento, com alta entre 8% e 10%, abrindo espaço para PMEs que apostam em nichos, eficiência operacional e diversificação de canais digitais.
  • Impulsionado pela digitalização, o crédito entre empresas, com prazos flexíveis para pagamento de compras e serviços, deve ganhar força em 2026. Segundo relatório da Research and Markets, divulgado em abril, esse modelo pode crescer mais de 25% ao ano até 2030 no Brasil, ampliando o acesso das PMEs a capital de giro com menos burocracia e maior agilidade.

Novos Desafios

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Dados Impressionantes

  • O setor de franquias segue em crescimento e já movimenta mais de R$ 300 bilhões no Brasil, consolidando-se como alternativa para PMEs que buscam expansão estruturada. Segundo a Associação Brasileira de Franchising, os dados divulgados em março apontam crescimento de 10,5% em 2025 e indicam perspectiva de expansão contínua ao longo de 2026.
  • O agronegócio brasileiro começou 2026 com forte desempenho, somando cerca de US$ 38 bilhões em exportações no primeiro trimestre, o maior valor já registrado para o período. Os dados foram divulgados em abril pelo Ministério da Agricultura e Pecuária e reforçam o peso do setor, que segue gerando oportunidades para PMEs em logística, insumos e serviços ao longo da cadeia produtiva.

Agenda

5 a 9 de Maio – São Paulo – SP
FEIMEC – Feira Internacional de Máquinas e Equipamentos
Local: São Paulo Expo

Entrevista

Esta coluna é destinada a entrevistas com especialistas, gestores, executivos e empresários de destaque.

Segue a entrevista com o Carlos Messeder.

PME NEWS – Mulheres, jovens de periferia, agricultores familiares. Por que são exatamente as pessoas que o sistema historicamente ignorou as que mais estão transformando o empreendedorismo brasileiro hoje?

Carlos Messeder – Porque essas populações conhecem, de perto, no seu cotidiano, as falhas do mercado e do Estado e transformam falta em solução. Quando o emprego formal não chega ou chega de modo precário, empreender surge como um caminho de renda e autonomia: começa como sobrevivência, mas pode virar negócio com identidade, rede e propósito. Mulheres, jovens de periferia e agricultores familiares partem de seus repertórios locais (comida, cuidado, cultura, produção da roça) e criam produtos e serviços que resolvem problemas reais, com baixo custo e alta adaptabilidade. A tecnologia e a formalização (MEI, canais digitais) ampliam alcance e reduzem barreiras de entrada. E o movimento é grande: em 2024, as mulheres já eram 46,8% dos empreendedores iniciais no Brasil, segundo o GEM, monitor de empreendedorismo.

PME NEWS – Um pequeno negócio que inova sem saber que está inovando. Isso existe? De que forma a criatividade de sobrevivência do empreendedor brasileiro se tornou uma vantagem competitiva real?

Carlos Messeder – Existe, e é mais comum do que se possa imaginar. Em muitos pequenos negócios, a “inovação” não vem com esse nome: ela aparece como gambiarra bem-feita, um ajuste de processo, uma mudança no cardápio, uma nova forma de entregar, cobrar, produzir ou atender — para poder caber no bolso do cliente e sustentar o caixa do negócio. Isso é muito próximo do que se pode chamar de uma inovação frugal: fazer mais com menos, simplificar, adaptar e usar recursos cotidianos, locais para resolver uma necessidade real. Quando essa criatividade de sobrevivência é combinada com digitalização (vendas por canais online, pagamentos, logística), ela se torna uma vantagem competitiva concreta: custo menor, velocidade de execução, produto em sintonia com o território e capacidade de mudar rápido antes do concorrente.

PME NEWS – Crédito negado, juros altos, burocracia. O pequeno empreendedor brasileiro cresce apesar do sistema ou ainda existe alguma política pública que realmente faz diferença na prática?

Carlos Messeder – Em muitos casos, o pequeno empreendedor cresce apesar do sistema — porque crédito no Brasil ainda é caro, exige garantias e pune exatamente quem tem menos histórico e patrimônio. Mas existem, sim, políticas públicas que fazem diferença quando chegam na ponta. A primeira é a simplificação: o MEI e o Simples Nacional reduziram burocracia, permitiram emitir nota, abrir conta PJ e entrar em cadeias de fornecedores. A segunda é o crédito com garantia pública: o Pronampe (Programa Nacional de Apoio às Microempresas e Empresas de Pequeno Porte) é uma linha de crédito do Governo Federal que foi desenhado para facilitar acesso às MPEs ao reduzir risco dos bancos através do fundo garantidor de crédito e já se transformou em política permanente. Quando o crédito ainda é acompanhado de orientação no negócio funciona melhor e vai consolidar mais negócios, uma vez que a questão não é só dinheiro.

PME NEWS – Negócios que respeitam a floresta, que vendem da roça para o mundo, que lucram sem destruir. O empreendedorismo verde é o futuro ou já é o presente nos pequenos negócios brasileiros?

Carlos Messeder – Já é presente — mas ainda muito “na base”, espalhado e subfinanciado. A economia verde aparece quando o pequeno negócio reduz desperdício, reaproveita insumos, economiza água e energia, muda embalagem, ou quando nasce diretamente da bioeconomia: cosméticos, alimentos e artesanato a partir da sociobiodiversidade, com floresta em pé e renda para comunidades e agricultores familiares. Esse movimento é maior do que a gente imagina: muitos pequenos negócios já adotam alguma prática ambiental. O próximo salto é transformar boas práticas em competitividade: assistência técnica, certificação e rastreabilidade, logística, acesso a mercados (inclusive compras públicas) e crédito adequado. Aí o “verde” deixa de ser apenas um nicho e vira estratégia de desenvolvimento. Políticas públicas nessa direção são fundamentais.

PME NEWS – Um celular, um aplicativo e um pequeno negócio que de repente vende para o Brasil inteiro. A transformação digital está de fato chegando para quem mais precisa ou ainda é privilégio de poucos?

Carlos Messeder – Está chegando, sim — e o celular virou a “porta de entrada” — mas ainda de um jeito desigual. Do lado positivo, a digitalização já é uma realidade de massa: é muito grande a quantidade de pequenos negócios que usam ferramentas on-line para vender, sendo o WhatsApp o principal canal de comunicação e vendas para grande número de MEIs e MPEs. Ao mesmo tempo, a inclusão é limitada pela infraestrutura e pela qualidade do acesso: muitos usuários acessam a internet exclusivamente pelo smartphone, e nas classes DE esse volume é extremamente grande — o que restringe gestão, capacitação e produtividade. Então não é privilégio de poucos, mas a transformação plena depende de conectividade melhor, letramento digital, proteção contra eventuais golpes e apoio técnico para profissionalizar o uso de ferramentas que potencializem o negócio.

PME NEWS – Se o pequeno negócio é a espinha dorsal da economia brasileira, por que ainda tratamos o empreendedor de base como um problema a resolver e não como a solução que ele já é?

Carlos Messeder – Porque o Brasil ainda enxerga o empreendedor de base pela ótica do “risco”: risco fiscal, risco de inadimplência, risco de informalidade. Em vez de perguntar “o que falta para esse negócio crescer?”, muita política pública começa perguntando “como eu controlo?”. Uma visão desse tipo ignora algo essencial: pequenos negócios não são um desvio. São a infraestrutura social da economia. Os dados do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), por exemplo, mostram o quanto as micro e pequenas empresas estão criando de vagas no mercado de trabalho. O empreendedor de base vira “problema” quando opera sem crédito, sem assistência, sem conectividade e sob o cerco da burocracia; com condições mínimas, ele vira solução: gera renda local, diversifica a economia e sustenta famílias, desenvolvendo o território.

Pense Nisso

“Pequenos negócios não são um desvio. São a infraestrutura social da economia”. 

Carlos Messeder

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