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Carreira
Silvia Facciolongo
Orhion Evolução e Crescimento Humano

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Entrevista concedida pela Diretora da Orhion Evolução e Crescimento Humano, Silvia Facciolongo, ao PME NEWS, edição de Agosto de 2022 – Tema: “Você é feliz no seu trabalho?”.

PME NEWS – A quantidade de workaholics está aumentando ou diminuindo na sua opinião?

Silvia Facciolongo – Os workaholics estão em extinção. Eles já foram moda. As pessoas foram levadas ao vício no trabalho, sem perceber. O foco das empresas na eficiência e no lucro enxugou os quadros de colaboradores e, para preservarem os empregos, os profissionais passaram a trabalhar por dois ou três. E como o ser humano já é competitivo, superar-se a si mesmo e aos outros tornou-se um vício também. Isso aconteceu naturalmente, mas não pode ser positivo. Eu penso, inclusive, que muitos psicopatas do trabalho ganharam um espaço enorme, a partir desta competição desenfreada, porque os egos ficaram em evidência. Mas o importante é que, hoje, a conscientização vem aumentando e quanto mais consciência, menos workaholics.

PME NEWS – As pessoas estão valorizando mais a vida pessoal que a carreira?

Silvia Facciolongo – Recentemente, um CEO de uma empresa europeia bilionária demitiu-se e disse que ia para praia ficar sem fazer nada, ficar perto dos seus pais. Quem nunca pensou em fazer algo assim? Antes, seria loucura. Hoje não. Ninguém aguenta mais imposições externas. É como uma cobrança do nosso EU superior para fazermos o que dá prazer e é bom para nós. Não tem a ver com não gostar de trabalhar. O trabalho é nossa forma de expressão, por onde nossos dons fluem. Mas, por sentido, e não por obrigação. Tem que compor com as demais áreas da vida, pois ela passa rápido e estar mais tempo com as pessoas que amamos e realizando coisas de que gostamos fazem mais sentido agora, depois da pandemia.

PME NEWS – Muitas empresas já estão adotando o modelo remoto e outras o híbrido. E algumas já estão praticando até a redução da jornada de trabalho para 4 dias na semana. Tudo indica que a ficha já caiu para algumas empresas?

Silvia Facciolongo – Então, os horários alternativos já são realidade. Para muitas funções, já não é necessário estar presente. Mas, se a opção for pelo presencial, que seja legal e prazeroso. Há casos e casos, dependendo da profissão e da cultura da empresa, mas é certo que o momento é de desconstruir o que a gente conhece e viveu até hoje e repensar em novas possibilidades que privilegiem a qualidade de vida das pessoas. As empresas, cujos líderes têm uma mentalidade mais aberta, já enxergaram isso, saíram na frente e estão transformando a sociedade de trabalho. A redução de jornada para quatro dias, é um marco. Não tem certo nem errado, desde que seja bom. O antigo modelo rígido é que precisa deixar de existir.

PME NEWS – Este ano bateu o recorde de pedidos de demissão no Brasil e no mundo. Qual é a principal razão para isto?

Silvia Facciolongo – O ser humano quer ser feliz. Aprendemos que a felicidade é algo distante e sinônimo de muito sacrifício. Porém, descobrimos que é possível ser produtivo e feliz ao mesmo tempo e, agora. Aquela história do pão e circo não “cola mais”; a cenoura amarrada na frente do burro, tão pouco. Empresas “perfeitas” nas redes sociais, mas tóxicas nos bastidores, sofrerão mais. As pessoas querem propósito e verdade. Eu ouvi de um Diretor de empresa que “burnout” é frescura e modinha e, que investir nas lideranças é romantismo. Então, ainda há pensamentos muito rasos na cúpula, assim fica difícil combater esse recorde. Ter respeito pelas pessoas precisa ser genuíno e não somente uma placa na parede. É o afeto que retém pessoas e as emoções estão no comando agora. Começa uma nova era no campo do trabalho.

PME NEWS – O tempo está passando mais rápido, as pessoas estão percebendo que é preciso viver algo diferente do que viveram até agora para serem mais felizes?

Silvia Facciolongo – É como se não tivessem tempo a perder. Hoje as pessoas estão se tornando minimalistas, ou seja, exigindo menos de si mesmas para terem e usufruírem mais de si mesmas. Estão intolerantes a muita coisa que suportavam até certo tempo atrás, como as jornadas exaustivas, a toxidade nos ambientes corporativos, baixas remunerações, atividades sem sentido etc. As pessoas não querem passar pela vida sem deixar a sua marca. No trabalho é a mesma coisa.

PME NEWS – Este assunto está ligado a todos os níveis hierárquicos?

Silvia Facciolongo – Sim, é como um despertar coletivo. Mas dentre os vários níveis, o papel do líder neste cenário ganha ainda mais relevância. Se liderar já não era fácil, imagine liderar em meio a tantas transformações? Liderar à distância, liderar o desejo individual que vai motivar e engajar cada colaborador, enfim, é preciso conhecer de pessoas para liderar positivamente nos tempos atuais. O líder de hoje precisa conseguir se conectar, primeiramente consigo mesmo, autoconhecer-se, e, depois, com o coração da equipe. O olhar humano será a grande diferença nesta transformação. Ouvi da líder de uma empresa que ela quer não apenas a mão de obra das pessoas, quer o cérebro de obra, e principalmente o coração de obra. Acredito que seja por aí, o caminho da felicidade no trabalho.

PME NEWS – Num cenário tão complexo e numérico como do mundo corporativo, conectar-se com o coração das pessoas não soa contraditório?

Silvia Facciolongo – Lembrei-me de uma frase famosa: “100% dos clientes são pessoas, 100% dos funcionários são pessoas. Se você não entende de pessoas, você não entende de negócios.” (Simon Sinek)
As pessoas, sejam elas clientes externos ou internos, buscam algo mais das empresas. Buscam algo que se conecte com as suas emoções. O ser humano está desenvolvendo o dom de sentir a verdade das coisas e não aceita menos que isso. Precisamos admitir que vivemos em um mundo cheio de mentiras e faz de contas, que todos enxergam, mas aprenderam a suportar porque era preciso. Hoje não é mais assim. Aquele emprego onde você ganha bem, mas tem que “vender a alma”, aquele que fere profundamente os seus valores humanos, arranha seus princípios, está começando a ser questionado. A infelicidade causada por este modelo antigo está deixando de existir. Esta é uma realidade presente e boa que precisamos nos adequar enquanto empresas e enquanto líderes. É assim que cada vez mais nos conectaremos com os corações das pessoas e estaremos mais próximos da felicidade no trabalho.

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