Edição do Mês

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Adultescência: Quando o Corpo Cresce, Mas a Maturidade Não Vem

Há comportamentos que parecem restritos à vida pessoal, mas também chegam ao ambiente das PMEs. Jovens com dificuldade para assumir responsabilidades, lidar com escolhas e desenvolver autonomia podem impactar equipes, relações profissionais e decisões de carreira. É um cenário cotidiano que merece atenção, especialmente em empresas que precisam formar profissionais preparados para crescer.

Na edição deste mês, o psicanalista e mentor de carreiras Marcos Piccilli aborda as causas e consequências dessa dificuldade de amadurecimento e mostra por que autonomia e responsabilidade são fundamentais também para o mercado de trabalho. Confira!

Bastidores

  • A forte demanda das férias do meio de ano impulsionou o desempenho do transporte aéreo nacional. Levantamento da ANAC indica que o setor movimentou 11,9 milhões de passageiros no mês, expansão de 11,9% frente a igual período do ano anterior, elevando o volume acumulado em 2026 para mais de 67 milhões de viagens. As rotas domésticas absorveram 9,2 milhões de viajantes (+1,9%), enquanto as conexões internacionais responderam por 2,7 milhões (+4,2%). O modal de carga acompanhou a curva ascendente e totalizou 123,9 mil toneladas, impulsionado pelo fluxo do comércio exterior e pela demanda por logística de alta velocidade.
  • A expansão do mercado editorial reaqueceu o setor. Levantamento da Câmara Brasileira do Livro (CBL) aponta alta de 7,7% nas vendas em 2025 (185 milhões de exemplares comercializados), enquanto dados do Sebrae mostram salto de 15% na abertura de novos varejos do segmento (11.185 unidades). A tendência ganha tração em 2026, impulsionada por negócios focados em curadoria especializada e experiência do leitor. Mais do que a venda direta de títulos, esses espaços consolidam seu papel como pontos de encontro cultural.

Novos Desafios

  • André Fehlauer é o novo CEO da GOL.
  • Cristiane Nogueira assume o cargo de CEO da Getnet no Brasil.

Dados Impressionantes

  • O mercado de biodefensivos movimentou R$ 5,3 bilhões na safra 2025/2026 no Brasil, cobrindo 107 milhões de hectares, segundo a Kynetec. Com expansão anual superior a 30%, ritmo quase três vezes maior que o dos defensivos químicos (11%), os biológicos ganham escala. Contudo, representam apenas 6% do total gasto com defensivos e inoculantes, revelando um amplo ecossistema de oportunidades para inovação e novos investimentos.
  • A inteligência artificial já tem capacidade para assumir 56% das horas de trabalho no Brasil, alinhando o país à média da América Latina (57%), segundo o levantamento da McKinsey. O avanço em produtividade e eficiência deve movimentar US$ 135 bilhões por ano na economia brasileira até 2030, transformando a dinâmica de mercado do setor produtivo. Diante desse cenário, a aceleração digital deixa de ser um diferencial competitivo para se tornar uma exigência direta de sobrevivência corporativa.

Agenda

16 de Setembro – Rio de Janeiro – RJ
CONECTARH 2026
Local: Botafogo de Futebol e Regatas

Entrevista

Esta coluna é destinada a entrevistas com especialistas, gestores, executivos e empresários de destaque.

Segue a entrevista com o Marcos Piccilli.

PME NEWS – É cada vez mais comum encontrar jovens adultos que permanecem na casa dos pais e adiam a independência. O que explica esse comportamento?

Marcos Piccilli – Esse comportamento chamamos de “adolescência estendida”, que é justamente o prolongamento da transição entre a adolescência e a vida adulta. O que mais vemos hoje são jovens adultos vivendo no colo dos pais, alguns com mais de 30 anos, enquanto a mãe leva o Todinho e eles jogam videogame. Ao mesmo tempo, reclamam de um mundo que consideram injusto e protestam do sofá pelo iPhone, como se a sociedade não os compreendesse.

É claro que educação prolongada, mercado de trabalho competitivo e alto custo de vida também contribuem para esse cenário. Mas existe uma mudança cultural importante.

Historicamente, a passagem para a vida adulta era marcada por ritos mais claros, como casamento, estabilidade profissional, aquisição de uma propriedade ou assunção de responsabilidades na comunidade. Hoje, esses marcos foram adiados ou perderam força.

Sem essas referências, alguns indivíduos têm dificuldade para abandonar a postura exploratória da juventude e assumir uma postura mais construtiva, própria da maturidade.

PME NEWS – Por que alguns jovens têm tanta dificuldade para assumir responsabilidades?

Marcos Piccilli – A sociedade mudou. Antigamente, havia ritos de passagem mais claros para a vida adulta, como casamento, estabilidade profissional, aquisição de uma propriedade ou assumir responsabilidades na comunidade. Hoje, esses marcos foram adiados ou perderam parte de sua força. Ao mesmo tempo, existe uma valorização muito grande da experiência pessoal, do prazer e da liberdade de escolha. Isso pode fazer com que alguns jovens adiem indefinidamente compromissos que exigem renúncia, esforço e responsabilidade.

PME NEWS – A tecnologia também contribui para esse comportamento?

Marcos Piccilli – Sim. A tecnologia e a cultura do “on-demand” criaram a sensação de que tudo está disponível o tempo todo e de que nenhuma escolha precisa ser definitiva. As redes sociais também ampliam a comparação com outras pessoas e podem aumentar a sensação de inadequação. Além disso, o entretenimento permanente pode facilitar a fuga de situações que exigem esforço, disciplina e enfrentamento da realidade.

PME NEWS – Quais são as consequências de permanecer nesse comportamento por muito tempo?

Marcos Piccilli – Uma das principais consequências é o déficit de resiliência. Quem evita responsabilidades e situações difíceis deixa de desenvolver a capacidade de enfrentar frustrações, perdas e crises. Também pode surgir uma espécie de paralisia: a pessoa quer manter todas as possibilidades abertas e, por medo de escolher, acaba não construindo uma trajetória consistente. A maturidade exige justamente o contrário: fazer escolhas e assumir as consequências delas.

PME NEWS – Como pais e sociedade podem ajudar esses jovens a amadurecer?

Marcos Piccilli – É preciso oferecer apoio sem transformar esse apoio em dependência permanente.

Ensinar educação financeira, estimular experiências profissionais, orientar escolhas de carreira e estabelecer responsabilidades dentro de casa são caminhos importantes. O jovem precisa entender que independência não significa apenas sair da casa dos pais, mas assumir progressivamente o controle da própria vida. Maturidade é deslocar o foco do “eu” para o “nós” e compreender que construir algo duradouro exige compromisso, responsabilidade e, muitas vezes, renúncia.

Pense Nisso

Maturidade é deslocar o foco do “eu” para o “nós” e compreender que construir algo duradouro exige compromisso, responsabilidade e, muitas vezes, renúncia”. 

Marcos Piccilli

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