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REALIZAÇÃO: Bit Partner | DIREÇÃO: Sidney Cohen

Empre40bilidade e as oportunidades para os 40+

As frases: “Cheguei aos 40 anos, e agora? Será que vão me mandar embora?” ou “Cheguei aos 40 anos, agora que não consigo emprego mesmo!” remetem uma preocupação constante para uma parcela dos profissionais acima dos 40 anos, também conhecidos como “40+”.

Mas será que o mercado entende dessa forma? E a outra parcela, como se comporta?

Em entrevista exclusiva ao PME NEWS, Mauro Wainstock, CEO do HUB 40+, comunidade com o foco na empregabilidade e empreendedorismo de profissionais acima dos 40 anos destaca a visão do mercado e dos profissionais com esse perfil, os desafios, as oportunidades e os benefícios dessa geração, que tem muito a aprender e, mais ainda, a ensinar as gerações Y e Z. Confira!

Bastidores

  • Segundo o Portal do Empreendedor do Governo Federal, o número de microempreendedores individuais (MEIs) superou a marca de 9 milhões em setembro, com 9,031 milhões de profissionais, uma alta de 21,6% comparado a setembro de 2018, que contavam com 7,42 milhões. Somente esse ano, os registros chegam a aproximadamente 1,3 milhão. Mais de 500 atividades são permitidas para o registro de MEI. Além da atividade principal, o microempreendedor individual pode registrar até 15 atividades secundárias. As atividades que mais crescem foram comércio, serviço de beleza e o de construção e reforma. Os serviços que se destacaram foram os oferecidos por aplicativos, como os de entrega por motociclistas (refeições prontas e comidas caseiras) e os de aulas particulares e cursos livres, segundo a fintech MEI Fácil aponta que de janeiro a setembro, foram realizados mais de 56 mil novos cadastros na categoria “outras atividades de ensino”.
  • O Valor Bruto da Produção Agropecuária (VBP) deve atingir R$ 603,4 bilhões neste ano, segundo o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. O valor é o segundo maior alcançado pela agropecuária em 30 anos. O primeiro ocorreu em 2017, com R$ 607,9 bilhões. As principais lavouras representaram R$ 399 bilhões, e a pecuária, R$ 204,4 bilhões. Na agricultura destacam-se as culturas do algodão, com aumento real de 16,6% no VBP, amendoim (14,3%), da banana (20,5%), da batata inglesa (117,8%), do feijão (64,9%), do cacau (1,9%), da laranja (8,1%), da mamona (34,9%), do milho (22,9%), do tomate (19,6%) e do trigo (8,2%). Na pecuária, destacam-se os valores da carne de frango (13,4%) e de suínos (9,3%), e por último a carne bovina, com aumento de 1,3%.
  • O consumidor brasileiro acima de 60 anos movimenta por ano cerca de R$ 1,8 trilhão no país. Desse total, R$ 15 bilhões são transações feitas pela internet. Os dados são do Estudo Mais Idade, realizado pelas áreas de Inteligência de Mercado e de Pesquisa da TV Globo. A pesquisa foi feita com mais de 2,2 mil pessoas de cinco regiões do país, em 2018. Nesse período, os idosos 60+, como são chamados, representavam 13% da população brasileira, o equivalente a 28 milhões de pessoas. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a expectativa é do país possuir 73 milhões de idosos, o equivalente a 32% da população, em 2060.

Novos Desafios

  • José Guimarães assume como CEO da rede varejista Novo Mundo.
  • Luis Bairão Carmagnani é o novo country manager da Ricoh Brasil.

Dados Impressionantes

  • Uma pesquisa realizada pelo Instituto Locomotiva sinaliza que o Brasil tem 45 milhões de pessoas que não movimentam a conta bancária há mais de seis meses ou que não optaram em ter conta em banco. São os desbancarizados. De acordo com o estudo, esse grupo movimenta mais de R$ 800 bilhões por ano e boa parte não tem acesso ao crédito, e, se tivessem, poderiam contribuir para a economia girar. O levantamento foi realizado em maio deste ano, com 2.150 pessoas brasileiros acima de 16 anos e representam 29% da população adulta do país. A metade (50%) dos desbancarizados está na faixa de 16 a 34 anos e 86% são das classes C, D, E que representa a parcela da população mais conectada à internet e com trabalho informal. Cerca de 60% moram no interior, sendo 39% moradores do Nordeste.
  • Quase a metade do planeta ainda não tem acesso à internet é o que aponta o relatório “Estado da Banda Larga 2019”, da comissão de Banda Larga, grupo que reúne representantes de empresas e da ONU (Organização das Nações Unidas). O acesso à internet está disponível para 51% da população mundial. A meta é dos internautas representarem 75% da população até 2025. A conexão de baixa qualidade foi apontada por 43% em países mais pobres e 25% em nações mais ricas. A infraestrutura está presente em localidades que abrangem 96% da população. O tráfego é realizado por 400 cabos submarinos, com 1,2 milhões de quilômetros e 775 satélites. Quanto à tecnologia, o 4G é responsável por 44% das conexões móveis, superando a 2G.
  • Dados da Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos (ABIHPEC), aponta que, nos últimos cinco anos, o mercado de estética cresceu 567% no Brasil, passando de 72 mil para mais de 480 mil profissionais. O levantamento revela que as perspectivas de crescimento para 2019 são de 1,5% a 2% em comparação ao ano passado, quando o setor movimentou R$47,5 bilhões. Os cuidados para a pele destacam-se nesse setor, de acordo com o estudo da consultoria Statista, a indústria de produtos para a pele movimenta US$ 141,3 bilhões globalmente em 2019. A projeção é que o número suba para US$ 189,3 bilhões até 2025.

Agenda

  • 28 a 31 de Outubro – São Paulo – SP
    Futurecom 2019
    Local: São Paulo Expo
  • Novembro/Dezembro – Campinas – SP
    Certificação Internacional – Sistema Eneagrama 360°
    Informações: http://www.infinitaeph.com.br

Entrevista

Esta coluna é destinada a entrevistas com especialistas, gestores, executivos e empresários de destaque.

Segue a entrevista de Mauro Wainstock.

PME NEWS – Por que há resistência do mercado em contratar pessoas acima de 40 anos?

Mauro Wainstock – Algumas empresas partem da premissa de que o 40+ pode estar defasado, seja sobre tecnologia, seja tecnicamente em sua área de atuação. Por outro lado, manter um sênior na equipe normalmente é mais oneroso.

No entanto, estes argumentos são frágeis: o profissional é ou não atualizado independente da faixa etária. No Brasil, há iniciativas que estimulam o “estagiário sênior” e também há propostas no sentido de criar o “Regime Especial de Trabalho do Aposentado”, projeto de lei que visa facilitar a participação dos 60+ no mercado de trabalho de maneira formal.

Já os benefícios da contratação dos 40+ são incontestáveis. Vou citar dois exemplos: a taxa de turnover é significativamente mais baixa e eles possuem um nível de experiência que não pode ser aprendida em cursos ou capacitações. Além disto, ainda possuem o bom senso, adquirido ao longo da vida, e a inteligência emocional, que tende a se fortalecer com a idade.

PME NEWS – Como se reinventar para o mercado de trabalho depois dos 40 anos?

Mauro Wainstock – Metade da força de trabalho no Brasil será 40+ antes de 2040. É o chamado “protagonismo sênior”. Características que antes eram seletivas, hoje são indispensáveis. Estar sempre atualizado, demonstrar resiliência para alcançar as metas, ter uma elevada dose de humildade para reconhecer as próprias deficiências e estabelecer estratégias de relacionamento que envolvam tanto participativas ações presenciais como uma enriquecedora presença virtual, se tornaram exigências para a recomendação profissional, e não mais diferenciais competitivos. Em qualquer faixa etária, e particularmente acima dos 40 anos, os profissionais precisam estar antenados, sobretudo técnica e tecnologicamente, e inovar permanentemente.

PME NEWS – Quais oportunidades de trabalho são favoráveis aos profissionais acima dos 40 anos?

Mauro Wainstock – No quesito vagas de emprego, as vagas estão intrinsecamente vinculadas à qualidade do networking. E este é outro ponto positivo nos 40+, tanto pelos anos de trabalho, como pelos sólidos relacionamentos criados. Outro dado é que, de acordo com o Índice de Confiança Robert Half, 91% das empresas estariam dispostas a ter colaboradores desta faixa etária em sua equipe. Mas nada disto adianta sem competência e credibilidade. Isto é imprescindível para qualquer faixa etária.

Se a opção for o empreendedorismo, o sonho de 77% dos profissionais, há atrativos inegáveis, como o horário flexível, ser seu próprio chefe e a possibilidade de ampliar a remuneração. Por outro lado, os desafios são diários, como a insegurança financeira e a instabilidade. Ter um negócio próprio não é gerenciar uma “ilha da fantasia” e nem participar das “aventuras da Pollyanna”. Muito mais do que sonho, empreendedorismo é responsabilidade. Neste sentido, é preciso estruturar um projeto realista, rentável e recorrente, os “três Rs”, além de estar profundamente ciente acerca das características e riscos que rondam o mercado escolhido para atuação. Neste ponto, devido à experiência adquirida, os 40+ normalmente têm mais bom senso e equilíbrio.

PME NEWS – Cheguei aos 40, e agora? Carreira ou Empreender?

Mauro Wainstock – Eu mesmo trabalhei muitos anos em uma multinacional e, há 25 anos, criei a minha própria empresa. Não há resposta certa. Apenas o tempo vai dizer se o caminho escolhido foi ou não o mais adequado. O que existe é um perfil que varia conforme características pessoais e profissionais.

Como 42 anos é a média de idade dos CEOs das startups do Vale do Silício e 55 anos a dos principais executivos das empresas listadas na Bolsa, a consultoria também se tornou uma alternativa bastante utilizada por esta faixa etária. Esta alternativa terá mais possibilidade de êxito à medida em que o grupo for formado por profissionais que se complementam em formação e experiência, ao mesmo tempo em que estejam alinhados nos objetivos e na dedicação.

Henri Nestlé, por exemplo, iniciou a empresa com 52 anos, mesma idade de Ray Kroc quando abriu a primeira loja do McDonald’s. Já John Pemberton inaugurou a Coca-Cola com 55 anos e Charles Flint fundou a IBM quando tinha 61 anos. No Brasil, também há casos muito interessantes: Assis Chateaubriand deu início à TV Tupi com 58 anos e Roberto Marinho inaugurou a Rede Globo aos 60 anos. Os exemplos são variados, como Alzira Ramos que, ao ficar desempregada com 60 anos, criou a Fábrica de Bolo Vó Alzira, hoje uma franquia com mais de 200 lojas; o empresário Permínio Moreira que, aos 68 anos, fundou a fintechEkko e a patenteou em 180 países; e o youtuber Nilson Papinho que, aos 72 anos, mantém um canal com 4,8 milhões de seguidores.

PME NEWS – Segundo o CIEE, o número de estagiários acima dos 40 anos cresceu em 5% entre 2017 e 2018. Qual a motivação e quais áreas de maior demanda por esse perfil?

Mauro Wainstock – A motivação vai muito além do aspecto financeiro: o estagiário 40+ quer se sentir útil e precisa se socializar. Ele é o grupo etário que possui o maior poder aquisitivo: adora frequentar cursos, viajar, aprender e viver. A responsabilidade em formar uma família e gerar dinheiro é menor. O imperdível filme “Um senhor estagiário” retrata com exatidão os desafios e benefícios em contratar um 40+.

PME NEWS – Com o mundo cercado de inovações disruptivas, como as Gerações Y e Z, que já “nascem sabendo”, pode-se afirmar que a experiência perdeu espaço para a criatividade?

Mauro Wainstock – De forma nenhuma as gerações Y e Z “nascem sabendo”. Elas podem ter mais facilidade com os recursos tecnológicos, mas, daqui a alguns anos, se não se atualizarem, também ficarão defasadas. Enquanto a tecnologia se aprende, a experiência se adquire apenas com o tempo. Já a criatividade é inerente a todas as gerações, não é restrita a nenhuma idade. O que adianta sonhar, criar e não executar? Temos que integrar as características mais relevantes de cada grupo etário para a construção de uma sociedade plural e inclusiva, rica na diversidade, saudável em seus propósitos e fortalecida em seus valores.

PME NEWS – Que dicas você dá aos 40+?

Mauro Wainstock – No livro “The 100-Year Life – Living and Working in an Age of Longevity”, as autoras Lynda Gratton e Andrew Scott questionam a simplificação da vida profissional em três etapas: ela começa com a educação, é seguida pelo trabalho e depois vem a aposentadoria. Mas esta trilha está começando a desmoronar: a expectativa de vida está aumentando, as aposentadorias do salário final estão desaparecendo e um número crescente de pessoas está fazendo malabarismos com várias carreiras. Se você tem 18, 45 ou 60 anos, precisará fazer as coisas de forma muito diferente das gerações anteriores.

O importante é entender que o mercado de trabalho move-se rapidamente e que, neste redemoinho, sobreviverá aquele que melhor se adaptar. Parabéns por estar lendo esta entrevista e pela disposição em se destacar neste universo! Faça acontecer diariamente e encontre a felicidade diária através do equilíbrio sustentável entre a atuação profissional, a qualidade de vida e uma postura positiva diante dos desafios. Para finalizar, cito a frase de Aristóteles Onassis: “Talvez eu venha a envelhecer rápido demais. Mas lutarei para que cada dia tenha valido a pena”.

Pense Nisso

“O Metade da força de trabalho no Brasil será 40+ antes de 2040”.

Mauro Wainstock

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