Edição do Mês

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REALIZAÇÃO: Bit Partner | DIREÇÃO: Sidney Cohen

Governança Corporativa: Método que Reduz Riscos

Em um ambiente empresarial cada vez mais complexo, crescer sem método amplia riscos e compromete a sustentabilidade do negócio.

A edição deste mês mostra como a governança transforma decisões intuitivas em processos estruturados, deixando de ser um conceito distante para se tornar uma ferramenta concreta de proteção, organização e perenidade empresarial.

Na entrevista, Iúna Hoffmann apresenta uma visão clara e prática, especialmente para PMEs que desejam crescer com mais segurança e consistência. Confira!

Bastidores

  • O levantamento anual do LinkedIn sobre as “Habilidades em Alta” revela, em 2026, a consolidação de competências ligadas à Estratégia de IA, Plataformas e Sistemas Inteligentes, Engenharia de Software, APIs, Desenvolvimento de Sistemas e Segurança da Informação. A transformação digital assume papel estrutural e redefine prioridades nas organizações.
    Ao mesmo tempo, Marketing, Comunicação e Storytelling Estratégico avançam além da Gestão de Programas, Projetos e Operações. O relatório revela que o mercado valoriza profissionais capazes de articular tecnologia, estratégia e execução, unindo visão analítica, influência e capacidade de entrega em ambientes corporativos cada vez mais desafiadores.
  • A Associação Brasileira da Indústria de Materiais de Construção (Abramat) projeta crescimento de 1,9% no faturamento do setor em 2026, após a queda de 1,2% registrada no ano passado, período marcado pela redução da demanda das famílias. A expectativa é de uma recuperação gradual, favorecida pela redução das taxas de juros e pela manutenção de obras imobiliárias e de infraestrutura, o que pode garantir um ambiente mais estável para organizar produção, estoques e decisões de investimento ao longo do ano.

Novos Desafios

• Fernando Balan assume a Vice Presidência do núcleo PME da ADVB.
• Marcela Faconti acaba de assumir a diretoria de marketing da NIVEA Brasil.

Dados Impressionantes

  • O Carnaval de 2026 trouxe novo fôlego às contratações no turismo brasileiro. Dados da Gupy mostram que as admissões em janeiro cresceram 32% na comparação com o mesmo mês de 2025. Hotéis, bares, restaurantes e empresas de eventos ampliaram equipes para atender ao aumento esperado de visitantes.
    O impacto também aparece na receita. A Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) projeta R$ 14,48 bilhões durante o feriado, alta real de 3,8%. Considerando todo fevereiro, a estimativa chega a R$ 18,6 bilhões, avanço de 10% sobre 2025.
  • O mercado de viagens corporativas encerrou 2025 com faturamento recorde de R$ 147,8 bilhões, o maior da série iniciada em 2011. É o que aponta o levantamento da Associação Latino Americana de Gestão de Eventos e Viagens Corporativas (Alagev), em parceria com a Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (Fecomercio-SP).
    O estudo reúne gastos com passagens, hospedagem, eventos e serviços de agências e operadoras. Para o setor, o avanço reflete agendas presenciais mais intensas, retomada dos encontros de negócios e maior previsibilidade no planejamento das empresas.

Agenda

12 e 13 de Março – Rio de Janeiro – RJ
Smart Summit 2026
Local: Expo Rio Cidade Nova

Entrevista

Esta coluna é destinada a entrevistas com especialistas, gestores, executivos e empresários de destaque.

Segue a entrevista com a Iúna Hoffmann.

PME NEWS – Qual é o real papel da governança corporativa na tomada de decisão?

Iúna Hoffmann – A governança corporativa transforma a decisão empresarial de um ato intuitivo em um processo estruturado, rastreável e alinhado à estratégia. Seu papel central é estabelecer quem decide, com base em quais informações, dentro de quais limites e com quais responsabilidades.

Ao definir regras claras, instâncias decisórias e critérios objetivos, a governança reduz vieses pessoais, conflitos de interesse e decisões reativas. Ela cria disciplina decisória, garantindo que escolhas relevantes considerem riscos, impactos financeiros, sustentabilidade e alinhamento com o propósito do negócio.

Na prática, governança não retira autonomia do gestor, mas qualifica a decisão, dando suporte técnico e estratégico para que ela seja tomada com mais consistência, previsibilidade e segurança jurídica.

PME NEWS – Quais riscos costumam surgir quando a empresa cresce sem uma estrutura clara de governança?

Iúna Hoffmann – O crescimento sem governança costuma gerar riscos silenciosos, porém cumulativos. Os mais frequentes são a concentração excessiva de decisões, conflitos entre sócios, informalidade contratual, ausência de controles e perda de visão estratégica.

Com o aumento da operação, decisões passam a ser tomadas de forma reativa, sem critérios claros ou registro, o que fragiliza a empresa juridicamente e financeiramente. Também surgem riscos de sucessão, dependência de pessoas-chave e dificuldades de acesso a crédito ou a investidores.

Muitas empresas só percebem esses problemas quando enfrentam crises, disputas societárias ou travas no crescimento. A ausência de governança não impede a empresa de crescer, mas aumenta exponencialmente o custo, o risco e a instabilidade desse crescimento.

PME NEWS – De que maneira a governança corporativa impacta na sustentabilidade do negócio ao longo do tempo?

Iúna Hoffmann – A governança é um dos principais pilares da sustentabilidade empresarial, porque garante continuidade, previsibilidade e capacidade de adaptação. Ao organizar processos decisórios, controles e responsabilidades, ela reduz a dependência de indivíduos e fortalece a instituição. Isso permite que a empresa atravesse ciclos econômicos, trocas de liderança e mudanças de mercado com menor impacto.

Além disso, a governança promove o equilíbrio entre resultados de curto prazo e visão de longo prazo, evitando decisões oportunistas que comprometam o futuro do negócio. Empresas governadas tendem a ter melhor gestão de riscos, maior credibilidade perante o mercado e maior capacidade de planejar sucessão, expansão e investimentos. Sustentabilidade, nesse contexto, é consequência direta de método, e governança é esse método.

PME NEWS – Até que ponto a governança é viável e eficaz para PMEs na redução de riscos?

Iúna Hoffmann – A governança é não apenas viável para PMEs, como especialmente eficaz nesse estágio. O erro comum é associá-la a modelos complexos, quando, na prática, ela pode ser proporcional ao tamanho e à maturidade da empresa.

Para PMEs, governança significa clareza societária, regras decisórias, registros mínimos, controles financeiros e alinhamento estratégico. Esses elementos reduzem riscos operacionais, jurídicos e societários com custo muito inferior ao custo das crises que evitam. Além disso, empresas menores ganham agilidade e organização ao implementar governança desde cedo, criando uma base sólida para crescer. Governança em PMEs não é sobre estrutura pesada, mas sobre criar ordem, previsibilidade e segurança para decisões estratégicas.

PME NEWS – Que evidências mostram que a governança está, de fato, funcionando dentro da empresa?

Iúna Hoffmann – A governança funciona quando deixa de ser discurso e passa a orientar a rotina decisória. Algumas evidências claras são: decisões registradas, critérios objetivos para aprovações relevantes, papéis bem definidos entre sócios e gestores, redução de conflitos internos e maior previsibilidade financeira.

Também se torna perceptível quando a empresa responde melhor a crises, pois já possui processos e instâncias claras. Outro sinal importante é a qualidade das reuniões estratégicas, que deixam de ser improvisadas e passam a ser pautadas por dados, riscos e objetivos. Quando a governança está funcionando, a empresa cresce com menos retrabalho, menos tensão interna e maior confiança entre sócios, gestores e parceiros externos.

PME NEWS – O que você diria a líderes que ainda associam governança à burocracia, e não à estratégia?

Iúna Hoffmann – Governança não é burocracia, é método para tomar decisões melhores. Ela não cria obstáculos, cria critérios; não engessa a empresa, organiza o crescimento e reduz riscos. Líderes que a veem como burocracia normalmente já tomam decisões complexas, mas sem estrutura, o que aumenta o desgaste. Por isso, governança é estratégia aplicada à decisão e deve ser vista como investimento em longevidade e valor do negócio.

Na prática, quando um empresário decide implantar governança em sua empresa, o primeiro passo não é criar regras, mas entender como as decisões acontecem hoje. Mapear quem decide, o que é informal e onde estão os principais riscos traz clareza sobre gargalos, sobreposição de papéis e dependências excessivas. Esse diagnóstico faz com que a governança deixe de ser abstrata e passe a resolver problemas reais. Governança começa com consciência organizacional, só depois vêm estruturas e controles proporcionais à realidade da empresa.

Pense Nisso

“Governança é método. Método é proteção. Proteção é perenidade”. 

Iúna Hoffmann

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