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Gestão
Israel Christof
Especialista em negócios

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Entrevista concedida pelo Especialista em Negócios, Israel Christof, ao PME NEWS, edição de Abril de 2021 – Tema: “Crise: oportunidade ou ameaça?”.

PME NEWS – A Crise é de fato uma ameaça ou podemos identificar oportunidades?

Israel Christof – Os desafios são propostos todos os dias aos empreendedores de qualquer porte e a postura de ação, ou melhor, reação precisa ser no tempo certo e na dose certa. Então, é fato que sempre temos de enxergar as oportunidades que a crise proporciona.

Reconhecer as nossas forças, fraquezas, tendências, nossos riscos e aí “partir pra cima” com um plano de ação realista é o que resolve, mas claro é muitíssimo relevante adotar indicadores, referenciais e acompanhar a eficácia das ações, além de “olhar para o lado”, pois melhores práticas já em curso podem e devem ser referenciais. Nessa hora o ego fica de fora e ajustes finos são remédios poderosos e com efeito imediato.

Precisamos enxergar as oportunidades que a crise proporciona, elas serão cíclicas e por isto temos de nos preparar para tal.

PME NEWS – As empresas que estão se destacando em plena pandemia, além da cultura organizacional, o papel do líder é fundamental neste processo. Qual o perfil de líder que apresenta o melhor desempenho: generalista ou o especialista?

Israel Christof – Esta pergunta é quase um mantra recorrente desde os anos 70-80, quando processos começaram a ser mais valorizados ou ter seu peso  mais preponderante dentro do processo produtivo.

Vejo por exemplo que na minha época de faculdade, a engenharia de produção era algo complementar e não uma carreira em específico, ou seja, conceitos e valores mudaram.

Evoluindo nesta direção, acredito que o perfil generalista terá um papel significativo no mundo, por propiciar uma visão mais abrangente e holística do mercado e suas demandas, mas é claro, não adianta ficar na superficialidade, pois quem tem ou desenvolve este perfil deve ter pelo menos uma atividade específica mais aguçada, além de foco para gestão e especialmente saber se relacionar com as pessoas.

O generalista deve inspirar times, clarear propósitos, induzir processos de transformação com clareza de objetivo (tangível e intangível) e valorização de quem o cerca.

Excelente exemplo do exposto acima é Roberto Fulcherberg, CEO da Via Varejo que transformou uma empresa com indicadores ruins numa potência do varejo (novamente), durante os duros tempos pandêmicos e se define como um generalista que inspira times e coloca todos para “enxergarem o mesmo alvo”.

PME NEWS – Qual o impacto da crise nos setores da economia?

Israel Christof – Certamente nesses tempos de transformação digital,  as empresas que atuam com tecnologia, seja no negócio meio ou fim, tem “uma mola de propulsão maior”. O Rolo compressor da inovação não para, a tecnologia de hoje gera a de amanhã, num processo cada vez mais energético.

Mas não imaginemos que seja fácil para essas empresas, que necessitam acompanhar esta onda avassaladora de inovação e, para isto, novamente mencionamos o Hulk generalista e seu time técnico, que com a agilidade necessária e just in time (esse termo é antigo, mas é novo … rsrs), fazem a roda girar de maneira certeira.

Não obstante segmentos notoriamente não tecnológicos também foram muito alavancados nos últimos tempos como: alimentação (delivery), saúde, cuidados pessoais, pet, ou seja, nichos em que a atenção é mais personalizada e individualizada.

O segmento varejo também não será o mesmo, o canal e-commerce, especialmente através do mobile, atraiu e consolidou usuários que nunca tinham concretizado uma compra digital ou até mesmo tinham aversão.

Para materializar o que mencionamos acima, por ver marcas que notoriamente enxergaram as oportunidades da crise e usaram tecnologia aliada a novos hábitos para conseguir excelentes resultados no 2º semestre de 2020, como o Grupo Reserva, C&A, Via Varejo, Burger King, ou seja, vários segmentos beneficiaram-se da Robotização, das novas ferramentas de experimentação, dos aplicativos de proximidade, etc que, com certeza, são fundamentais agora e depois para a decolagem no pós-pandemia  (fique de olho, estas tendências não são passageiras).

No segmento de serviços foi uma luva de boxe vindo no sentido contrário, uma vez que a medidas sanitárias obrigaram a desativação temporária de diversos serviços, mas vejo que a capacidade de gestão suplantou tudo isto e diversos caminhos alternativos foram tomados, por exemplo: Vimos empresas de eventos migrando para o virtual, arquitetos e decoradores “usando e abusando” da tecnologia remota para realizar e implantar seus projetos decorativos remotos.

Mas temos também segmentos que, a princípio, começaram a surfar uma onda bacana de evolução e valorização financeira; refiro-me ao mercado imobiliário. Mas, será que a evolução é concreta e o home-office veio para ficar e daí a necessidade de espaços mais organizados e alinhados com a dinâmica família-trabalho? Nesse mesmo sentido, qual será a representatividade e atratividade dos shopping centers no pós-pandemia? O mercado de proximidade, ou seja, de bairro, por exemplo, será consolidado como canal preferencial, em detrimento de hipermercados, hiper lojas e hiper marcas?

PME NEWS – A inovação e tecnologia andam juntas. Os métodos ágeis têm sido um diferencial não apenas com as startups, como também, nas grandes empresas. Como eles podem contribuir para se enxergarem oportunidades diante deste cenário? 

Israel Christof – A Agilidade como metodologia e como prática central não foi adotada por modismo ou inovação efêmera e sim porque as empresas, os negócios e o mundo necessitam de entregas mais rápidas, de qualidade e que acompanhem a velocidade com que as informações e o mundo se transformam.

Este é um tema que deve ser adquirido por todos, e aí me refiro ao empresário, ao intraempreendedor e grandes corporações, aliás estas estão utilizando o impulsionamento que uma startup propicia (que já tem a agilidade na veia), para alavancar seus negócios (recentemente a Locaweb adquiriu várias para alavancar seu nicho de marketplace, logística e meios de pagamento).

Outro fator que materializa a agilidade é a maneira como foi adotada pelos vários departamentos da empresa, ou seja, uma simbiose de necessidades corporativas, focadas em enquadrar a empresa em moldes que podem gerar entregas num espaço de tempo menor do que praticavam anteriormente.

Também temos de analisar a questão comportamental, pois a agilidade já está nos corações e mentes dos jovens que estão acessando e desenvolvendo o mercado de trabalho, sendo que neste aspecto precisamos analisar suas habilidades sempre em ritmo ultra rápido, seja como profissionais e como consumidores.

Pessoas, inovação, tecnologia e estar antenado com aquilo que o mundo a nossa volta nos solicita é fundamental.

PME NEWS – Que dicas você dá às pequenas empresas para se destacarem diante deste cenário?

Israel Christof – Já mencionamos diversos caminhos, possibilidades, dificuldades e fortalezas, mas a principal dica é: “não deixe que a dúvida e a dificuldade te paralisem ou diminuam”. O problema é uma oportunidade, a crise então é uma grande oportunidade.  Tecnologias e comportamentos que demorariam alguns anos para serem adotados pelo mercado já são uma realidade e com certeza vieram para ficar ou serão potencializados cada vez mais (por exemplo temos hoje o Live Commerce, o conceito omnichanel sendo substituído pelo unified commerce, espelhos e vitrines virtuais, programas de fidelidade com todas as facilidades e comodidades de acesso, Geolocalização adaptada à persona que consome o produto e/ ou serviço, etc).

Mas existem setores e situações que, como comentamos acima, são incógnitas, os quais respeitamos e nos colocamos do lado, para apoiar, ajudar a visualizar e implementar alternativas de contorno.

PME NEWS – O que vem pela frente, ou seja, o que podemos esperar do pós-pandemia?

Israel Christof – O que vem pela frente com certeza é uma realidade recheada de tecnologia, de grandes massas de informação, grande capacidade de adquirir conhecimento, utilizando-o bem e, principalmente, relacionar-se, olhar o parceiro como um aliado.

As pessoas estão no centro, a tecnologia é extremamente relevante, mas ter a sensibilidade negocial do ponto de vista humano é preponderante, para estar alinhado com o momento atual e ao mesmo tempo visualizando as evoluções temporais.

Os hábitos de consumo não vão mudar, eles já mudaram e se fizermos um flashback para início dos anos 2000 já visualizávamos uma sociedade cada vez mais integrada, com nível de obsolescência de conhecimento rápido e automatização exponencial.

O ideal é bater tudo isto no liquidificador, fé em D´us  e teremos um cenário próximo do possível.

O que vem à frente é inevitável, então devemos honrar a oportunidade que D´us está nos propondo e potencializar todas as habilidades e ferramentas que tivermos.

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